Traveling is a bitch!
Nesse emprego que eu arranjei, eles gostam de me mandar viajar bastante.
A última foi Juiz de Fora. Nada contra Juiz de Fora, só contra os meios de se chegar a Juiz de Fora. Pantanal Linhas Aéreas, eu juro! Ou, se você preferir, a Kombi Alada. Chegar no aeroporto e ter que entrar no Sucatinha no meio daquele monte de Boeing e Airbus é um tormento pro meu coração. E eu sei, eu sei, os últimos grandes acidentes envolveram um Boeing e um Airbus, mas isso não ajuda, entende? Eu ainda tenho que esperar o comandante demorar 5 minutos pra iniciar o motor do avião, escutando um piiiiiii desesperador e depois viajar até Juiz de Fora ouvindo um barulho agoniante!
E quando ele vai descer então? O bicho se joga. Ele embica pra baixo e vai, com fé, e a gente reza pra ele parar.
Se chegar já não fosse ruim o suficiente, vocês não sabem o que se tem que fazer pra sair daquela cidade. Eu me senti num filme de terror, daqueles em que a Cidade não quer que você vá embora, quer manter você ali para que o doido da cidade pique você em pedacinhos e dê para os cachorros, pra depois comer os cachorros, sabe? Numa sexta-feira, o avião atrasou umas 4 horas, a gente teve que pousar em Campinas e eu cheguei à minha casa quase às 5 da manhã.
Na outra sexta, depois de uma semana de calor insuportável, São Pedro resolveu mandar toda a chuva do mês num dia só. Eu mencionei que o aeroporto de Juiz de Fora fica em cima de um morro? Um pingo de chuva, a neblina desce, ninguém vai embora. Vôo cancelado. Um “sinto muito” da Pantanal e só, já que eles não tinham culpa. A notícia de que os próximos dois vôos estavam lotados e talvez a única esperança fosse vir embora na Segunda Feira.
Segunda feira o que? Eu quero voltar pro trânsito e pro barulho e pro ar irrespirável de São Paulo! E aparentemente eu não sou a única!
O que se seguiu foi uma corrida do aeroporto à rodoviária, todo mundo querendo ver quem conseguiria comprar passagem pra voltar, todo mundo desesperado pra voltar, nem que isso significasse 7 horas de ônibus. E a cidade continuava me agarrando, eu juro! Sem passagem pra São Paulo, sem passagem pra lugar nenhum perto de São Paulo! Cogitei o Rio e a ponte aérea. Tudo lotado, lotado! Percebeu como a cidade tinha obviamente criado vontade própria e decidido que eu não iria embora, no matter what?
Eu comecei a chorar porque eu queria minha cama e meu travesseiro e minha cachorra! Voltei pro hotel arrasada, fiquei por lá mais uma noite (que eu não dormi, de medo de meu despertador não tocar por culpa da MALDIÇÃO DA CIDADE e eu perder a hora de ir pra rodoviária, pegar o ônibus para o qual eu tinha comprado A ÚLTIMA PASSAGEM – AHÁ, TOMA ESSA, CIDADE BLEH!) e ficar presa ali mais algumas horas (durante as quais o louco que eu mencionei ali em cima me cortaria em tiras e daria pro cachorro).
Enquanto eu não saí dos arredores da cidade, enquanto eu não vi que era só estrada mesmo, e Juiz de Fora estava pra trás e o louco teria que arrumar outra pessoa pra picar, eu não fiquei sossegada.
Agora é esperar a próxima cidade e começar tudo de novo!

